verão 2014: A mulher forte de Miuccia Prada inspirada na arte de rua

23 setembro 2013 Categories: DIRETO DOS NOSSOS ARQUIVOS ...., fashion week, primavera-verão 2014 por Comentários desativados em verão 2014: A mulher forte de Miuccia Prada inspirada na arte de rua

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Arte e moda caminham juntas. O desfile da Prada S/S 14 “No coração da multidão”, feito com cenário montado por murais de quatro grafiteiros e dois ilustradores envolvendo  temas relacionados à feminilidade, representação, poder e multiplicidade, demonstra isso.

O tema da coleção surgiu do interesse pela arte política de muralistas mexicanos, como Diego Rivera, para quem a arte “é uma arma”, um instrumento revolucionário de luta contra a opressão. O Muralismo foi um movimento que ressurgiu no México e se espalhou pela América Latina nos anos 30 e 40 (época em que ainda nem existia spray), e que tem como um dos pontos centrais a filosofia de que a arte deve ser acessível ao povo. Para mais informações, vale a pena consultar o Itaú Cultural e o site muralismo.

Mas esse desfile da Prada não prova apenas que moda e arte andam juntas. Prova mais.

Ao trazer a arte de rua para a passarela e reabrir a discussão sobre o papel da mulher, levanta, através da moda, outra questão: mesmo estando cada vez mais isolados com nossos gadgets, olhando incansavelmente de cinco em cinco minutos as novas mensagens que recebemos no WhatsApp, ou as últimas fotos que nossos amigos postaram no Instagram, e de passar horas olhando a tela do iPad tentando passar a fase número 165 do Candy Crush (sim, se você tem mais de 10 anos, você demora dias para passar a fase 165 do Candy Crush), a solução, ou pelo menos o debate, sobre o que queremos,  talvez esteja nas ruas.

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É nas ruas que milhões de jovens foram reivindicar seus direitos, seja ocupando Wall Street em Nova Iorque, ou na praça Tahris, no Cairo, ou na Avenida Paulista e na Avenida Rio Branco, em São Paulo e Rio de Janeiro. E é na arte de rua a inspiração dessa coleção.

Miuccia Prada se inspirou nas mulheres fortes para sua coleção, com gráficos ousados, cores vibrantes e uma certa confiança para descrever uma heroína ousada e conseguiu com muita riqueza trazer a alma das ruas e do grafite para a moda.

Na street art há a mistura de muitas cores fortes, com atrevimento e sem muita sutileza, tomando muito cuidado para que tudo crie uma harmonia estética. E esse efeito conseguimos ver no desfile, onde a estilista colocou riscos cortando detalhes, bordados, cores, tudo sem muita simetria. Ela conseguiu dar corpo à coleção, estabelecendo um diálogo muito forte, muito harmonioso, transformando o street wear e colocando um glamour que só ela consegue fazer ao misturar polainas, punhos e tecidos.

 Camila amou os jacquards (jacquard é quando a mistura de linha, lã ou fio faz o desenho), dando volume ao desenho das peças, saindo dos muros e indo direto para os vestidos (como se o grafite fosse reproduzido na roupa).

Miucca Prada pinçou detalhes dos murais que estavam na sua passarela e os estampou e bordou em sedas, peles e até mesmo em bolsas. Apenas Yves Saint Laurent, o primeiro a trazer o street wear para a alta costura e um nome que Miuccia Prada reverencia, fundiu estes dois mundos com tanta convicção.

Cada pintura retrata uma imagem diferente da feminilidade. As mulheres nas paredes representam a multiplicidade das formas que as mulheres assumem no decurso de um dia, uma vida inteira.

E para trazer mais feminilidade, ela colocou o sutiã por cima da roupa, tornando-o visível ao mundo e, assim, abriu o debate sobre a questão do papel da mulher no mundo real, o mundo que está na rua.

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E ao final desse desfile intenso, repleto de imagens fortes, assim como é essa mulher Prada, nos perguntamos: o que quer essa mulher que está nas ruas?

O que nós queremos?

Notas: as imagens do desfile  foram cedidas pela assessoria de imprensa da Prada no Brasil; as fotos do backstage foram retiradas do facebook da Prada, onde você pode ver o vídeo desfile ; ComQueBolsa está no facebook, no twiter; no tumblr, nopinterest e também no instagram (@comquebolsa); para receber a newsletter do ComQueBolsa é só se cadastrar aqui; o site não tem compromisso comercial com as marcas citadas nos posts e todas as opiniões expressadas são espontâneas e se pautam na opinião pessoal da equipe do ComQueBolsa, blog de moda especializado em bolsas

Art and fashion walk side by side. The Prada S/S 14 fashion show “In the midst of the crowd (No coração da multidão)”, elaborated with a setting made up of murals from four graffiti artists and two illustrators involving themes related to femininity, representation, power and multiplicity, displays this.

The theme of the collection emerged from the interest for political art of Mexican muralists, like Diego Rivera, for whom art “is a weapon”, a revolutionary instrument of struggle against oppression. Muralism was a movement that came back to life in Mexico and was spread throughout Latin America in the 30’s and 40’s (era when spray did not even exist yet), and which has as one of the central points, the philosophy that art must be accessible to the people.

But this Prada fashion show does not only prove that fashion and art go hand in hand. It proves more.

When bringing art from the street to the ramp and reopening the discussion on the role of women, it raises, through fashion, another issue: although it may be more and more isolated with our gadgets, gazing untiringly every five minutes at new messages that we receive in WhatsApp, or the latest photos that our friends posted at Instagram, and of spending hours gazing at the iPad screen attempting to get pass Candy Crush phase number 165 (indeed, if you are over 10 years old, it takes you days to get through Candy Crush phase 165), perhaps the solution, or at least the debate, may be out on the streets.

It is on the streets that millions of young people went out to claim their rights, whether taking Wall Street in New York, or the Tahris square, in Cairo, or Paulista Avenue and Rio Branco Avenue in São Paulo and Rio de Janeiro. And the inspiration of this collection is on street art.

Miuccia Prada became inspired on strong women for her collection, with bold graphics, vibrant colors and a certain confidence to describe a daring heroine and was able to bring with much richness the soul of the streets and the graffiti to fashion.

In street art there is the mixture of a lot of strong colors, without too much subtlety, being very careful so that everything may create an aesthetic harmony. And this effect we are able to see in the fashion show, where the fashion designer placed risks by cutting details, embroideries, colors, everything without a lot of symmetry. She was able to incarnate the collection, by establishing a very powerful, extremely harmonious dialog, by transforming street wear and by placing that glamour that only she is able to do when mixing leg warmers, cuffs and fabrics.

Camila loved the jacquards (jacquard is when the mixture of fiber, wool or thread makes up the design), giving volume to the design of clothing articles, jumping out of the walls and leaping directly to the dresses (as if the graffiti was reproduced on the clothes).

Miucca Prada plucked out details from the murals that used to be on her ramp and printed and embroidered them on silk, skin and even on bags. Solely Yves Saint Laurent, the first to bring street wear to haute couture and a name that Miuccia Prada reveres, casted together these two worlds with so much conviction.

Every painting portrays a different image of femininity. The women on the walls represent a multiplicity of forms that women assume in the course of a day, a lifetime.

And to bring more femininity, she placed the brassiere over the clothes, turning it visible to the world and, thus, opened the debate on the issue of the woman’s role in the real world, the world that is out on the street.

And at the conclusion of this intense fashion show, filled with  powerful images, just as this woman is, the Prada woman,  we ask  ourselves: what is it that this woman wants?

What do we want?

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