As bolsas vegan-friendly da brasileira Canna

28 outubro 2013 Categories: bolsas, entrevista por Comentários desativados

Vegan-friendly, os produtos da marca Canna são ideais para quem se preocupa com um consumo ético e sustentável, sem abrir mão do estilo e das tendências contemporâneas. A prova de que é possível fazer bolsas de qualidade com material sintético (não é couro animal, nem vegetal). Esse material é feito a partir de um laminado sintético de alta qualidade, em fábricas que utilizam processos ecológicos, como reutilização da água da fábrica e reciclagem de matéria-prima. E a preocupação da Canna não é só com o material, mas com todo o ciclo produtivo, tanto que utiliza produtos feitos por pequenos produtores no Brasil, com trabalho justo, com remuneração adequada.

 Este mês a Canna participará da Pop Up Store, que acontece durante o SPFW. A marca apresentará uma preview de sua nova coleção, uma parceria com Carmem Saito, ilustradora que mora em Berlim. Fernanda nos conta que o resultado ficou muito bacana, com uma pegada mais urbana. Alguns detalhes estão sendo divulgados no Instagram: @studiocanna e, assim que tivermos as primeiras fotos da nova parceria, vamos divulgar no comquebolsa!

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Camila fez uma pequena entrevista com Fernanda, estilista da Canna:

Camila: “A história da sua marca me encanta (…). Gostaria de saber: como é concorrer com marcas que vendem peças de couro? Acredito que a história do seu produto na hora da venda tenha um grande valor e importância. Se você puder nos contar um pouco da sua experiência, seria ótimo.”

Fernanda: “O couro animal tem um marketing impecável, que vem sendo trabalhado há décadas, enquanto o material sintético é conhecido pelas peças feitas na China com qualidade muito inferior. Então é normal que muitas pessoas tenham preconceito com o material sintético, e um dos meus desafios é justamente mostrar que não precisa ser assim. Hoje, felizmente, muitas pessoas já sabem que o couro não é apenas um subproduto da indústria da carne e sim um outro produto da mesma indústria, e que além dos animais, prejudica muito o meio ambiente.

 A história da marca tem sim muita importância, porque permite que os consumidores se identifiquem com ela, identifiquem a pessoa que está por trás daquilo tudo e comecem a valorizar mais o trabalho de criação e o trabalho do artesão. Minha marca surgiu a partir de uma necessidade pessoal. Sou vegetariana há mais de 10 anos, tenho uma exigência estética muito grande e não conseguia encontrar bolsas sem couro e feitas no Brasil. Decidi que eu iria criar isso, e hoje é esse o conceito base da marca: design minimalista, material brasileiro e valorização do trabalho do artesão. E aí a Canna tem tudo isso e ainda não perde em nada para outras marcas, tem seu público-alvo, tem sua forma de se comunicar, tem loja virtual, tem embalagem bacana, pensamos em todo o conjunto. A ideia é mostrar que o cliente não vai sair perdendo, nem em qualidade, nem em design, nem em preço. É possível ter uma bolsa bacana sem prejudicar nada na cadeia de produção.”

 Camila: “É muito difícil concorrer com a mão de obra barata, materiais da China. E tudo o que é feito ecologicamente correto, respeitando a natureza, seres e meio ambiente, é muito mais difícil de achar. Imagino que achar um material que fosse sintético, que fosse e ainda tivesse um acabamento e ‘cara boa’, tenha sido muito difícil, que você teve que pesquisar e estudar muito para achar (ainda mais que fosse todo produzido e feito no Brasil). Gostaria que você contasse um pouco para gente o caminho que fez e como chegou no material perfeito com uma boa cartela de cores e acabamento.”

Fernanda: “O público da Canna é formado por pessoas conscientes do impacto que as suas escolhas de consumo fazem para o mundo. São pessoas que reconhecem o valor de uma peça feita artesanalmente, com trabalho justo, baixo impacto ambiental, apoiando empreendedores locais. Com relação ao material, eu pesquisei bastante para chegar nesta alternativa. Foi um ano inteiro de testes, dor de cabeça e frustrações antes de conseguir lançar a marca. Testei, por exemplo, um látex de seringueiras da Amazônia. Pensei que tinha achado de cara a alternativa ideal, comprei uma quantidade para testar e, quando fui buscar na oficina do artesão que estava fazendo, ele me explicou o quanto o material não se prestava para essa finalidade. Ele não dobrava, era super difícil de cortar e colar, e com o tempo ainda ficava esbranquiçado. Pesquisei bastante e encontrei o material que utilizo hoje. Ele é feito na Bahia e no Rio Grande do Sul com processos ecológicos e tem uma ótima cartela de cores. De cara, as pessoas não acreditam que não é couro, ficam bastante intrigadas. Mas eu não descarto outras possibilidades. A nova coleção, que está prestes a ser lançada, usa também lona de algodão cru, estampada com ilustrações de uma designer brasileira radicada na Alemanha.”

 Camila:“Gostaria de agradecer e dizer que tenho orgulho da Canna e do que ela representa. Espero que sirva de exemplo para tantas outras marcas e pessoas, não só na moda como em todas as outras áreas. Que cada um repense um pouco mais e que possa fazer a sua parte para que possamos viver em um mundo melhor. Muito obrigada, Fernanda!”

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